domingo, 26 de maio de 2013

Capítulo 44



Vai a todos os lugares possíveis e não a encontra.
            Cansado, vai até a lanchonete mais próxima para beber uma água.
            Quando senta na mesa, ouve uma voz familiar.
            - Cansado de tanto procurá-la?
            Ele vira e vê Wanessa com um copo de cerveja e um sorriso cínico nos lábios.
            - Você não está presa? – Rafinha diz, atordoado.
            - Estava! Eu tenho as autoridades na mão, meu querido!
            - Venho de uma busca tremenda pela Letícia e você vem aqui só para esfregar na minha cara que consegue comprar policiais idiotas só por ser rica, e por ser considerada uma “cantora”?
            - Eu não ia perder o meu tempo só por isso...
            - Então o que quer? Ver a minha tristeza por saber que o meu amor pode morrer a qualquer momento, é isso?
            - Morrer? Não me diga que a...
            - Isso mesmo! Ela está com AIDS e eu me sinto um nada por não poder curá-la e fazê-la a mulher mais feliz do mundo!
            - Ah Rafinha, eu tenho dó de você...
            - Como assim?
            - Você não percebe que ela já é a mulher mais feliz do mundo? A Le tem um homem maravilhoso, que se preocupa com ela, que fica triste por não poder fazer nada e que, neste exato momento, está falando bobeiras a respeito do seu relacionamento perfeito e de sua namorada que o ama mais que tudo! Meu marido vive viajando e eu fico sempre solitária... Nâo sei responder pela Le, mas se você fosse o meu homem, eu seria, com toda certeza, a mulher mais feliz do universo!
            Rafinha fica assustado com o discurso de Wanessa.
            - O que deu em você hoje, hein?
            - Eu cansei de ser a vilã, a que todos odeiam! Eu posso ser cheia de defeitos, mas tenho a oportunidade de mudar! Desculpe por tudo o que fiz! Eu não queria ser assim...
            - Bem, eu fico feliz com tudo isso! – Ele diz, ainda surpreso.
            - Ah... Tem alguém na mesa 36 te esperando!
            - Mas...
            - Vai lá, homem! – E ela o empurra.
            Rafinha vai perto da dita mesa e vê uma pessoa encapuzada e de cabeça baixa.
            - Er... Oi! – Ele diz, cutucando-a.
            - Não me conhece, Rafs?
            - Mas, é você? – E a pessoa tira o capuz. Era Letícia sorrindo.
            - Eu mesma, amor! – E os dois se abraçam.
            - Por que não me contou do teste?
            - Não queria te preocupar!
            - Mas devia ter falado...
            - Desculpa... Eu só queria ter vivido aquela noite intensamente!
            - Eu também... Mas e por que sumiu de repente?
            - Eu queria ver e ir novamente ao lugar em que nos conhecemos: essa lanchonete! Estou na mesa 35, o número da sua idade! Você poderia não vir aqui mas eu, dessa maneira boba, poderia sentir sua presença!
            - Agora não precisa mais!
            - Não mesmo! – E Le sorri. – Posso fazer um pedido?
            - Claro!
            - Eu queria ir até a praia com você!
            - Praia? Você nunca gostou...
            - Eu sei... Mas eu quero!
            - Tudo bem! Vamos que eu te levo!
            Na hora de se levantar, Le sente uma fraqueza e quase cai no chão.
            - Está tudo bem? – Rafinha diz, segurando-a.
            - Está sim! Deve ser o efeito da doença...
            - Vamos, eu te levo no colo! – E Rafinha a carrega até o carro.
            Dá a partida e vai rumo à praia, com a mulher que ama, um amanhã incerto e um coração pulsando de amor.
CONTINUA...

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