Vai a todos os lugares possíveis e não
a encontra.
Cansado,
vai até a lanchonete mais próxima para beber uma água.
Quando
senta na mesa, ouve uma voz familiar.
-
Cansado de tanto procurá-la?
Ele
vira e vê Wanessa com um copo de cerveja e um sorriso cínico nos lábios.
-
Você não está presa? – Rafinha diz, atordoado.
-
Estava! Eu tenho as autoridades na mão, meu querido!
-
Venho de uma busca tremenda pela Letícia e você vem aqui só para esfregar na
minha cara que consegue comprar policiais idiotas só por ser rica, e por ser
considerada uma “cantora”?
-
Eu não ia perder o meu tempo só por isso...
-
Então o que quer? Ver a minha tristeza por saber que o meu amor pode morrer a
qualquer momento, é isso?
-
Morrer? Não me diga que a...
-
Isso mesmo! Ela está com AIDS e eu me sinto um nada por não poder curá-la e
fazê-la a mulher mais feliz do mundo!
-
Ah Rafinha, eu tenho dó de você...
-
Como assim?
-
Você não percebe que ela já é a mulher mais feliz do mundo? A Le tem um homem
maravilhoso, que se preocupa com ela, que fica triste por não poder fazer nada
e que, neste exato momento, está falando bobeiras a respeito do seu
relacionamento perfeito e de sua namorada que o ama mais que tudo! Meu marido
vive viajando e eu fico sempre solitária... Nâo sei responder pela Le, mas se
você fosse o meu homem, eu seria, com toda certeza, a mulher mais feliz do
universo!
Rafinha
fica assustado com o discurso de Wanessa.
-
O que deu em você hoje, hein?
-
Eu cansei de ser a vilã, a que todos odeiam! Eu posso ser cheia de defeitos,
mas tenho a oportunidade de mudar! Desculpe por tudo o que fiz! Eu não queria
ser assim...
-
Bem, eu fico feliz com tudo isso! – Ele diz, ainda surpreso.
-
Ah... Tem alguém na mesa 36 te esperando!
-
Mas...
-
Vai lá, homem! – E ela o empurra.
Rafinha
vai perto da dita mesa e vê uma pessoa encapuzada e de cabeça baixa.
-
Er... Oi! – Ele diz, cutucando-a.
-
Não me conhece, Rafs?
-
Mas, é você? – E a pessoa tira o capuz. Era Letícia sorrindo.
-
Eu mesma, amor! – E os dois se abraçam.
-
Por que não me contou do teste?
-
Não queria te preocupar!
-
Mas devia ter falado...
-
Desculpa... Eu só queria ter vivido aquela noite intensamente!
-
Eu também... Mas e por que sumiu de repente?
-
Eu queria ver e ir novamente ao lugar em que nos conhecemos: essa lanchonete!
Estou na mesa 35, o número da sua idade! Você poderia não vir aqui mas eu,
dessa maneira boba, poderia sentir sua presença!
-
Agora não precisa mais!
-
Não mesmo! – E Le sorri. – Posso fazer um pedido?
-
Claro!
-
Eu queria ir até a praia com você!
-
Praia? Você nunca gostou...
-
Eu sei... Mas eu quero!
-
Tudo bem! Vamos que eu te levo!
Na
hora de se levantar, Le sente uma fraqueza e quase cai no chão.
-
Está tudo bem? – Rafinha diz, segurando-a.
-
Está sim! Deve ser o efeito da doença...
-
Vamos, eu te levo no colo! – E Rafinha a carrega até o carro.
Dá
a partida e vai rumo à praia, com a mulher que ama, um amanhã incerto e um
coração pulsando de amor.
CONTINUA...
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