- Amor, vou tomar banho, ok? – avisa Rafinha.
- Claro Rafs, eu vou ficar aqui na sala!
Rafinha entra no banho e alguns minutos depois chama Letícia.
- O que foi? – ela vai na porta e esquece que no banheiro dele não tinha box.
Olha para o lado, envergonhada.
- Esqueci a toalha! Poderia a pegar, por favor?
- Claro!
Ela pega a toalha e ouve um barulho ensurdecedor, mas não liga.
Então percebe que o gatinho tinha sumido, e o procura pela casa.
Ouve seus miados e vê que eles vêm do banheiro.
Quando chega, tem uma terrível visão: Rafinha estava caído no chão, todo ensangüentado, e seu gatinho estava ao seu lado.
Ela se desespera, afasta o gatinho e o cobre com a toalha, para aquecê-lo.
Liga para o 192 e eles logo chegam.
Antes de o carregarem, mesmo desacordado, ela pega em sua mão e, em meio à lágrimas, cochicha em seu ouvido:
- Eu te amo, Rafs, resista por favor!
Ela o acompanha até o hospital.
Um vulto os observa e guarda a arma no bolso, com um sorriso maldoso.
Todos aguardavam apreensivos na sala de espera, quando o médico chega.
- Ele está bem, doutor? – pergunta Le.
- Seu estado é grave, levou um tiro na cabeça, e não conseguimos extrair a bala!
- Meu Deus! Ele está acordado?
- Está, e quer ver você!
Ela entra no quarto.
- Letícia?...
- Sou eu, meu amor!
- O que aconteceu? A dor me consome...
- Bem, você levou um tiro, mas vai ficar tudo bem!
- Não... extraíram minha bala, não?...
- Não, mas vão conseguir!
- Me... promete... algo?
- Claro!
- Se eu... morrer... vai seguir... sua vida sem... mim?
- Para, meu amor! Você vai ficar bem!
- Aceite os fatos... eu estou... mal... e a qualquer... momento posso...
Ela o beija.
- Eu te amo, e tudo vai passar...
- Desculpe... se não vou... poder passar... minha vida... com você e ter... filhos! Mas... saiba... que... eu te amo!...
- Ai, para com isso! – E o desespero a consome, e ela o abraça.
- O gato... está... bem?
- Claro... Espera você!
- Diz... pra ele... cuidar bem... de você... e da... Baby!
- Claro! Mas eles vão ter você também!
- Não... se iluda... minha querida!
- Eu tenho esperanças, e você é uma delas!
- Diz... pro CQC... que tive... anos muito... felizes lá... e vou levá-los... comigo... sempre!
- Digo, e eles vão ficar felizes de saber que você está bem! Descanse vai, amanhã é um novo dia!
- Não... chore... por mim... Boca... linda... Eu te... amo muito...
E ele adormece.
Le apóia sua cabeça em seu peito e se desespera, chorando compulsivamente.
CONTINUA...